Eu conheço inúmeras histórias de amor. Outras tantas de relacionamentos que não deram certo. Mas hoje dedico a Edição Especial Amor Internacional, a todos os corajosos que decidiram, de papel passado ou não, encarar a maior aventura de todas: o casamento.
O meu começou há 13 anos, quando conheci o meu marido alemão pela internet, e em poucos meses estávamos morando juntos. Daí até casar de papel passado foram-se dois anos.
Eu gosto de comparar o casamento com a compra de um carro. Você compraria um automóvel sem nunca tê-lo testado? 
Como expatriado, nem sempre é possível morar junto por muito tempo sem ficar ilegal no país. Mas esse é um ponto muito importante para o relacionamento internacional: conhecer o país do parceiro, a cultura, a sua família e vivenciar juntos o dia a dia. Porque, se casar-se com um compatriota e fazer com que o relacionamento dê certo já não é fácil, com um estrangeiro o desafio é maior.

Casamento: uma viagem por diversos caminhos

Também gosto de pensar no casamento como uma viagem por diversos caminhos: os vales, a planície e as montanhas. Os vales, cheios de diferenças a serem resolvidas, são certamente os obstáculos mais difíceis que um casal pode enfrentar. As montanhas, com seus pontos altos e claros, são as mais lindas de se ver e de se vivenciar. Porém, não conheço ninguém que aguente ficar lá nas alturas por muito tempo. De todas as superfícies, a planície é pra mim o maior desafio em um casamento. É onde a vida corre normalmente, sem muitos altos nem muitos baixos. Sem muito frio na barriga, mas também sem muita dor de cabeça. Vida estável e mais calma.
Sob o ponto de vista de expatriada, eu penso que é na planície do relacionamento que temos tempo para nos conhecermos melhor e descobrirmos o que queremos fazer nesse novo país. Um lugar onde a língua é estranha e os costumes diferentes. É preciso fazer novos amigos, lidar com sogros que não falam a nossa língua e muito menos entendem o nosso jeito de ser. É na planície do relacionamento que está o maior desafio do expatriado: depois de passada a euforia da festa de casamento e de ter vencido os obstáculos dos vales escuros, agora é hora de tomar a própria vida nas mãos. Voltar a estudar, aprender, trabalhar, se reinventar, construir uma vida a dois, a três, a quatro. Muitas vezes uma tarefa de Hércules. Mas nada disso seria possível nem nos vales nem nas montanhas da vida.
Na nossa romântica edição nove casais binacionais que moram juntos e felizes mundo afora, abriram os seus álbuns de fotografias, seus corações, e falam hoje sobre as suas maiores aventuras: a vida a dois e em família no exterior.
Beijos
Claudia