Pedalando China afora

Hoje convidamos a paulista Christine Marote para falar sobre o cilcismo na China, país que ela escolheu para viver. 

Uma pequena introdução sobre Bicicletas (e afins) na China! Por Christine Marote

Pode-se dizer que o transporte oficial na China é a bicicleta e seus derivados: bicicletas elétricas e scooters elétricas – as que são movidas a gasolina precisam de habilitação, por isso são em menor número.
Pedalando China afora
A probabilidade de você ser atropelado por um desses veículos é infinitamente maior do que pelos carros. Se bem que o trânsito aqui também merece um post exclusivo. O pior que quando a gente conta, é difícil das pessoas entenderem o tamanho do caos. Caos para nós, diga-se de passagem, porque para eles é algo completamente integrado ao ambiente e à rotina diária.
Bom, mas vamos às bicicletas: essa foto é de um estacionamento de bicicletas em Beijing. Pois é. Existem milhões desses e bilhões de veículos de duas rodas também. As ciclovias existem, mas como as scooters vão tomando conta, já que são maiores e mais potentes, as bicicletas mudaram para as calçadas. E não adianta reclamar. Você está calmamente andando pelo lugar que em qualquer parte do mundo é reduto exclusivo de pedestres, aí ouve uma buzina estridente e contínua e alguém gritando algo impossível de decifrar e balançando os braços e passando por cima, se você não for bem ágil. E se pensa que algum pedestre reclama, está completamente enganado! A vantagem é que nessas horas podemos xingar falar mal também, porque eles não entendem. Pode-se dizer que vira uma discussão de igual para igual
Pedalando China afora
Outra peculiaridade é que podemos comprar as bicicletas no supermercado (até aí normal) e as scooters também! E mais uma: tem algumas que custam muito mais baratas que as bicicletas. De todas as cores, marcas e tamanhos. Já pensou ir ao supermercado e passar com uma scooter no caixa?
Pedalando China afora
Os acessórios são um capítulo à parte. As chinesas não tomam sol “nem que a vaca tussa e fale alemão” (essa é velha, hein). Então elas se munem de viseiras com abas que cobrem até o pescoço, imitando uma máscara de solda e no verão usam umas capinhas brancas que cobrem os braços e o colo. Bom, nem preciso dizer o quanto é hilário.
Nos dias de chuva, a bicicleta não tem descanso, eles usam umas capas, com capuz e aba, e ela cobre TODO o veiculo. Sem falar que há os espaços para encaixar o retrovisor e uma parte de plástico transparente para o farol. Agora, capacete, sinal luminoso para noite e outros equipamentos de segurança passam longe das mãos dos ciclistas chineses. Nem os das bicicletas elétricas usam esse tipo de coisa (!!).
Pedalando China afora
Outro detalhe que não pode ficar de fora: esse veículo é o meio de transporte da família. Assim, é comum ver quatro, até cinco pessoas numa mesma scooter. Já sei… você está falando que é impossível, que os ares chineses estão queimando meus neurônios. Nada disso. É a pura e cruel realidade. Bebês carregados em cestas no meio das pernas do condutor é coisa básica. Capacete e/ou outra proteção? Esquece. Aqui eles seguem à risca o ditado que diz que “desgraça, só na casa do vizinho” e naquele bem distante, diga-se de passagem.
Pedalando China afora
Ah, para finalizar: a bicicleta também é usada como caminhão de mudança ou transporte barato de carga! Duvida? Vem aqui para ver!

 

Quem é Christine

Christine é paulista de Santos, com formação em Educação. Apesar de ter atuado como professora no inicio da carreira, logo passou a ocupar cargos administrativos e desenvolver sua grande paixão que é lidar com pessoas, até sua mudança para China . Depois de quatro anos na “ponte-área” São Paulo – China, mudou definitivamente para Shanghai em Janeiro de 2009. Desde então trabalha como voluntária na BaobeiFundation. Descobriu que é apaixonada por escrever, e além de relatar um pouco da sua experiência de nove anos na China no blog China Na Minha Vida, colabora com a página em português da Revista Hola China e escreve mensalmente para o blog Brasileiras Pelo Mundo. Terminou em 2013 o MBA-China Business andCulture, na JiaotongUniversity em Shanghai.