Meu nome e Juliane Rosas, tenho 33 anos, sou formada em jornalismo e nasci em Santos, São Paulo.

Como eu vim para na Turquia…
Tudo começou  quando eu procurava músicas no youtube e achei uma banda que gostei muito da melodia. Claro que não entendi nada da música, então eu resolvi procurar saber mais sobre a banda, que era turca. Tentei encontrar a tradução, mas nada encontrei em português, apenas em inglês. Foi aí que começou meu romance com o idioma turco. Simplesmente me apaixonei pela a língua e me empenhei em aprender. Mas como? No Brasil não tinha nenhum livro, dicionário e nenhuma escola de turco. Entrei em todos os sites que dispunham do aprendizado de turco. Fiz um punhado de amigos turcos virtuais que sempre me ajudavam nas dificuldades com a língua. Mas eu ainda estava determinada a achar um dicionário.

Todo mundo, mãe, família, amigos, colegas ficavam admirados e curiosos sobre o porque de eu estar tão empenhada em estudar turco. A resposta era, que me apaixonei pelo idioma e sua gramática lógica e complexa tão diferente da nossa. Um belo dia achei uma escola de turco em São Paulo, mas era  complicado para fazer o curso porque eu não tinha tempo, já que trabalhava em dois empregos e tinha faculdade a noite. Então liguei para a escola e perguntei se tinham dicionário. Esse foi o meu primeiro contato com um turco de verdade. Essa pessoa de nome Hakan foi extremamente gentil e me informou que tinha sim e falou o valor. Eu resolvi ir lá no sábado. Cheguei na escola e fui muito bem recebida pelo professor que já estava me esperando. Ele me convidou para assistir uma aula grátis e era tudo o que eu precisava. Então resolvi fazer as aulas aos sábados. Na hora que eu estava indo embora, eu perguntei pelo dicionário, que afinal de contas era o motivo de eu ter lá. O Turco foi tão gentil e inacreditavelmente, não somente trouxe o dicionário, como os livros do curso para pagar na próxima semana, na qual eu iria começar o curso. Quem iria fazer isso hoje em dia em São Paulo? Entregar livros sem a pessoa pagar? Achei incrível.

Comecei então as aulas. Um dia meu professor me perguntou se eu poderia ajudar um rapaz turco que estava em um hospital em Santos. Ele não fazia ideia onde era o hospital e a família do rapaz estava ligando direto para a escola querendo saber notícias.

Em Santos, passei no hospital como eu havia prometido para o professor. Cheguei no hospital para visitar o turco desconhecido. Quando abri a porta ele estava dormindo, mas logo acordou e me perguntou em turco “quem e você ?”. Nessa hora eu não soube nem o que responder, liguei rapidamente para o professor e passei o telefone para o turco doente chamado Nida Köse.

E aí começa o meu romance. Quando eu estava saindo do hospital, o Turco Nida, perguntou se eu iria voltar no dia seguinte, eu disse que não sabia. Mas tudo estava a favor e assim fui visita-lo. Passei o dia inteiro com ele, tentando conversar e entender porque ele estava no hospital. Ele me contou que trabalhava em um navio que passou pela África, e foi picado pelo mosquito da malária. Passou muito mal em alto mar e o porto mais próximo era o de Santos.

Ele ficou duas semanas no Brasil e eu fui todos os dias no hospital. Com três dias ele já queria colocar namorando no status do facebook e disse que iria casar comigo. Eu ria, porque não tivemos nada. Eram somente visitas, que eu gostava muito. Chegamos até a fugir do hospital para ele passear pela cidade. E em uma dessas fugidas eu levei ele na minha casa. O que eu não sabia, era que na cultura turca, se você leva alguém na sua casa e apresenta para seus pais, é namoro!

Bom, as duas semana se passaram e ele foi embora falando que iria se casar comigo. O nosso contato foi apenas pelo facebook, msn, e sms no celular durante um ano e meio. Durante esse tempo as coisas foram se tornando mais sérias, a família dele já estava falando em casamento mesmo, até que ele perguntou se eu realmente queria casar com ele. Eu disse que sim!

Terminei a faculdade e vim para a Turquia! E aqui estou eu! Essa é a minha história e em outubro fizemos um ano de casados.  

Quer saber mais sobre mim? Aguarde a próxima edição da revista digital Brasileiros Mundo Afora em dezembro, onde vou estar falando sobre a minha vida profissional aqui na Turquia.

Beijos Juliane