Amor e sexo
O amor é uma linguagem universal, que ultrapassa todas as barreiras, inclusive as multi-culturais. Junto com essa linguagem vem outra, a do sexo. Para essa última existem alguns ajustes que precisam ser feitos de acordo com os valores e culturas de cada casal.

Já escutei casais de diferentes nacionalidades falarem da necessidade de ajuste ao ritmo do outro e ao modo de ver o sexo na relação. Em algumas culturas o sexo entre os casais é objeto único de procriação; sendo que em outras é a matéria prima para uma relação duradoura a dois. Já testemunhei muitos casais brasileiros se separando por causa da ausência de sintonia no sexo; assim como já escutei casais de diferentes nacionalidades falarem que o sexo não era bom entre eles, mas isso não era a coisa mais importante e sim a manutenção da família e do lar.

Uma primeira coisa que é dada como certa: o sexo é encarado de maneiras diferentes em diferentes culturas. A segunda é que o sexo entre os casais diminui com o passar dos anos. Mas por quê?

O que acontece é que com o passar dos anos a sedução entre os parceiros diminui. Os casais relaxam e começam a viver uma rotina onde o sexo passa a não estar entre as prioridades. O parceiro está tão disponível e acessível que deixa de ser objeto de desejo.

O dia a dia consome o romance. Além disso, a rotina diária, cheia de responsabilidades, torna-se um dos vilões que diminuem o desejo entre os casais que moram embaixo do mesmo teto. Seduzir leva tempo e exige que tenha a necessidade de conquista. Se o parceiro(a) está ali disponível, esse esforço seria em vão, no entanto, torna-se inexistente até por uma questão de economia de energia por parte dos dois. Se um quer transar e o outro não, a relação pode ser deixada para o dia seguinte ou para a próxima semana. Essa acomodação e facilidade de “reagendar o sexo” acomoda as pessoas. Com o tempo o casamento cria outras prioridades e o sexo perde espaço no meio de tantas atribulações e tarefas a cumprir.

A verdade é que ninguém casa para ser infeliz e ninguém deseja perder o desejo pelo parceiro(a).

Depois de anos de convivência, porém, se algo não for feito para reanimar a vida sexual de um casal que convive há anos, a rotina e falta de desejo é uma tendência quase inevitável. Por isso, é importante entender que isso pode acontecer até com os casais mais apaixonados do planeta.

E o casamento entre brasileiras e estrangeiros como funciona?

Muitos casais multiculturais reclamam que o sexo com um parceiro de outra cultura é diferente. Conversando com brasileiras que moram no Canadá e que casaram com estrangeiros, ouvi os seguintes depoimentos:

Sinto falta do jeito brasileiro na hora do sexo. Com meu marido eu tenho dia e hora para fazer sexo. É quase um agendamento de negócios.” – Ana*

Fazemos sexo todas as sextas-feiras. Isso é certo. Outro dia? Sem chances. Não existe aquele abraço que começa na cozinha e termina na cama.” – Joana*

Meu marido no começo era bem fraquinho em relação ao sexo. Fui ensinando para ele o jeito brasileiro de ser e hoje em dia ele está bem diferente; até me dá palmadinha no bumbum.” – Vitoria*

Não tem jeito, os homens latinos são definitivamente melhores em relação ao sexo. Mas os estrangeiros são mais fiéis e companheiros. Bem, não dá para ter o melhor dos dois mundos. Eu optei pela segunda qualidade citada.” – Roberta*

Meu namorado estrangeiro me perguntou como eram os homens brasileiros; decidi não contar tantos detalhes para não ofendê-lo (risos).” – Cláudia*

Em uma relação a dois duradoura, precisa-se constantemente renovar a energia sexual do casal. Como podemos fazer isso? Algumas dicas:

Preservar os momentos a dois: Ter momentos a sós lhe trará um pouco da energia do começo da relação, pois é importante ter um momento para se produzir, se preparar para um encontro, seja esse uma ida ao cinema ou a um restaurante;

Ter Fantasias: Permita-se fantasiar na relação a dois. Sejam essas fantasias reais ou apenas imaginárias. Não permita que a culpa acorrente você. Fantasiar não é traição e sim uma maneira de transformar rotinas;

Valorize a sua individualidade: Ser um casal não anula o fato de você ter uma vida pessoal e individual. Muitos casais, antes do casamento, tinham amigos e rotinas que independiam do parceiro para estar acontecendo. Esses mesmos casais tendem a mudar completamente após o casamento. Isolam-se numa vida a dois, sentindo-se com o tempo sufocados e sufocando o outro;

Fale sobre suas vontades: Cada parceiro deve conversar sobre o que dá ou não prazer e o sobre as experiências que gostaria de ter;

Cuide da aparência: Homens e mulheres tendem a descuidar de si mesmos após o casamento.  Isso desestimula o casal, afinal mudar com o passar dos anos faz parte, mas tornar-se totalmente diferente do que você era é desestimulante.

 *Para preservar a identidade dos entrevistados, todos os nomes apresentados nos depoimentos desta matéria são fictícios.
Lila Rosana nasceu em Belém do Pará, onde formou-se em psicologia clínica e organizacional. Morou por 11 anos em Fortaleza, no Ceará. Tem especializações em educação infantil, ludoterapia e estresse pós-traumático.  Atualmente vive em Vancouver, no Canadá. Ela escreve no blog pessoal Conversando com os pais ,que surgiu do trabalho de orientação de pais que fazia no Brasil, e para o jornal online Tribuna do Ceará.