A jornalista Juliane Rosas, de 34 anos, mudou-se para a Turquia por amor. Casada com o turco Nida Köse, mora em Istambul há um ano. Aproveitando uma oportunidade, começou a trabalhar com turismo, área em que nunca havia trabalhado antes.


Na Turquia, se você não é fluente na língua turca, não existem  muitas opções.  Aqui você pode trabalhar como professora de português ou de inglês para crianças ou com turismo, falando na sua língua nativa, em inglês e espanhol. Quando cheguei, pensei que não conseguiria nunca encontrar um emprego. Meu inglês é péssimo, mas meu turco é razoavél, já que me comunico com meu marido somente nesse idioma. Mesmo assim ainda preciso aprender muito.
No início fiquei perdida sem saber por onde começar. Foi quando uma amiga turca que conheci no Brasil me indicou uma agência de turismo. Fui para a entrevista, consegui o emprego, mas fiquei apenas cinco meses, já que não me adaptei ao sistema da empresa.
Depois disso fiquei em casa durante  um mês, fiz alguns artesanatos, mas os turcos não dão muito valor para produtos nesse estilo. Achei que iria demorar muito para encontrar outro emprego, mas logo ví um anúncio em uma comunidade virtual de brasileiros que vivem na Turquia. Fiz a entrevista em turco e consegui o trabalho, onde estou há cinco meses. Nesta segunda agência ainda sinto algumas dificuldades devido a minha falta de conhecimento sobre o ramo turístico, mas estou aprendendo mais a cada dia.
A minha rotina de trabalho é bem interessante: Eu moro na parte asiática de Istambul e trabalho na parte europeia. Eu realmente atravesso o continente para trabalhar. Acordo às 5:40 da manhã, pego o ônibus para a estação do  metrô, levando cerca de 15 minutos para chegar lá. O metrô me leva em 35 minutos ao bairro Kadikoy, onde pode-se embarcar nos barcos a motor, ou vapor, que fazem a travessia do Bósforo que divide a cidade em dois continentes. Essa é a hora mais relaxante do trajeto. O caminho é lindo e dura 20 minutos. É quando aproveito o tempo para tomar chá e admirar a paisagem da antiga Constantinopla. Chego do outro lado, pego mais um ônibus e em 20 minutos estou enfim no meu trabalho. Tenho uma hora de almoço. Ao todo eu utilizo oito conduções por dia, entre ônibus, metrô e barco. Para quem estava acostumada no Brasil a ir para o trabalho de moto, chegar em 10 minutos e ter duas horas de almoço em casa, não é fácil.
Que conselho você daria para quem está se mudando para o exterior?
O meu conselho para quem pensa em trabalhar no exterior é que estude muito a língua do país escolhido. Aqui na Turquia não é muito fácil, pois as opções não são tão diversificadas, e às vezes, é necessário se submeter a salários baixos. Além disso, temos que lidar com problemas de locomoção, conseguir se adaptar à cultura do país e da empresa, além de aprender novas regras. É preciso ter muita determinação e sorte. Não posso dizer que é fácil, mas a experiência que estou tendo está sendo muito válida.
Aprender tudo novamente como uma criança, se redescobrir, descobrir cada pedacinho do novo lugar e valorizar cada momento… isso não tem preço!
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Juliane fala sobre a sua história de amor com Nida e a Turquia