Nome: Rode Veiga-Pfeifer
Idade: 31 anos
Há quanto tempo mora no exterior: 14 anos
Profissão no Brasil: estudante
Profissão na Alemanha: Pedagoga, docente de Pedagogia e Didática e professora de Português e Alemão para estrangeiros em uma universidade alemã.

Brasileiros Mundo Afora (BMA): Por que você foi morar fora do Brasil? 
No ano de 2000, meu pai recebeu o convite de uma igreja evangélica alemã para pastorear o grupo latino que havia dentro dessa igreja. Eles precisavam de alguém que falasse português e espanhol. Viemos com a família toda (meus pais e quatro filhos). Aqui na Alemanha eu estudei, me formei, me casei com um alemão e acabei ficando.
BMA: Como foi ingressar no mercado de trabalho? 
Quando nós viemos para a Alemanha, eu tinha 17 anos e ainda não tinha terminado o segundo grau no Brasil, o que me fez ter que refazê-lo todinho, devido à diferença dos sistemas de educação da Alemanha e do Brasil. Como eu não falava alemão, o processo de adaptação na escola foi bastante doloroso e humilhante: 14 anos atrás, o sistema de educação alemão não sabia lidar muito bem com alunos que chegavam sem conhecimento da língua. A única escola que aceitava estrangeiros que ainda não falavam o alemão era a chamada Hauptschule, a escola de mais baixo nível educacional dentro do sistema escolar alemão. E havia somente uma turma para todos que estavam aprendendo a língua. E lá estava eu, uma adolescente de 17 anos, na mesma turma que crianças de 12 anos. Consegui fazer o Realschulabschluss, um diploma que permite ao estudante continuar os estudos rumo à universidade, e fui para o Gymnasium, o tipo de colégio que oferece o mais alto nível educacional dentro do sistema alemão. Com alguns anos de atraso (eu estava com 22 anos), consegui fazer o meu Abitur, que é a chave para se entrar na faculdade aqui na Alemanha. 
Só Deus sabe o quão difíceis foram esses anos até chegar à universidade. Imagina alguém que está aprendendo alemão ter que fazer provas de Física, Química e Biologia nessa língua difícil (sem contar que eu era péssima nessas matérias)! Foram muitas noites em claro, muita dedicação, lágrimas derramadas e orações feitas nesse período. Fiz faculdade de Letras e Pedagogia, aqui na Alemanha. A luta para chegar à universidade foi tão grande que para mim foi um grande presente poder conhecer a vida universitária e conquistar o meu tão sonhado diploma. Eu poderia trabalhar como professora em escolas de primeiro e segundo graus (como todo professor alemão), mas optei por trabalhar como docente na universidade. Quando criança, meu sonho era, um dia, trabalhar como professora de português, e durante algum tempo parecia realmente que eu nunca realizaria esse sonho. Foi aí que as portas se abriram e eu consegui vaga numa universidade daqui do estado de NRW (Renânia do Norte Vestfália) para dar aula de português para estudantes de língua alemã que estão se preparando para fazer um intercâmbio ou um estágio no Brasil. Para mim é um privilégio poder ensinar a nossa língua portuguesa, que é tão linda, a alunos que se interessam por ela! E também dou aula de alemão para estudantes universitários estrangeiros que vêm fazer faculdade na Alemanha. Pelo fato de eu ter passado pelo mesmo processo de aprendizagem da língua alemã, posso motivá-los, mostrando a eles que é possível, sim, aprender essa língua com fama de difícil em todo o mundo! 
Muito legal também é o fato de muita coisa ter mudado no sistema escolar alemão. Hoje em dia, as escolas estão mais preparadas para lidar com alunos estrangeiros sem conhecimento da língua alemã. Como fiz uma especialização na área de Alemão como Língua Estrangeira, leciono Pedagogia e Didática para alunos alemães do curso de licenciatura. Nesses cursos, eles são preparados para atender de forma mais adequada os alunos cuja língua materna não é o alemão.
BMA: Quais as principais diferentes que destacaria entre um país e outro? 
Com certeza, os professores aqui na Alemanha são mais respeitados do que no Brasil e a remuneração também é melhor. Mas ganha-se bem menos do que em outras profissões.
BMA:  Como é sua rotina de trabalho? 
Preparo as minhas aulas, corrijo textos (muitos textos!) e vou para a sala de aula. No momento, tenho um dia de folga na semana para fazer minhas pesquisas de doutorado. Amo trabalhar com pessoas, interagir com elas, motivá-las, mas também gosto de refletir sobre tudo o que aprendo na prática, e atuo bastante na área de Comparação Linguística (Português-Alemão). Sempre que posso, dedico algum tempoescrevendo no meu blog Entre duas culturas. Criei a página para mostrar mais da vida na Alemanha aos brasileiros e da vida no Brasil aos alemães. Além disso, escrevo bastante sobre diferenças culturais entre os dois países. Escrevo nas duas línguas e estou adorando conhecer tanta gente nova, interagir com elas e, de certa forma, continuar ligada a assuntos relacionados ao Brasil.

BMA: Que conselho daria para quem está mudando agora para o exterior e gostaria de continuar atuando na sua profissao? 

Aqui na Alemanha, aprendi que nada é impossível! Com muita dedicação, esforço e a ajuda de Deus, familiares e amigos é possível superar muitas dificuldades! Corra atrás dos seus sonhos, comemore cada vitória, por menor que ela seja, e continue lutando por seus objetivos. Espero que minha história sirva de motivação para muitos! 

Instagram: @entre_duas_culturas